sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Capítulo 7 - Um Passado Purificado: O QuartO

COMO JESUS PODE REDIMIR O SEU PASSADO

Normalmente eu não compartilho os meus sonhos, mas eu gostaria de falar sobre um que mexeu muito comigo.

Como cristãos, nós “sabemos” certas coisas como “Jesus me ama” e “Cristo morreu pêlos pecadores”. Nós já ouvimos estas frases inúmeras vezes, mas a poeira da familiaridade pode ofuscar a glória destas verdades simples. Temos que tirar o pó e nos lembrar do poder que elas possuem, capaz de transformar vidas.

Um sonho que tive numa noite úmida ao visitar um pastor em Porto Rico me fez lembrar destas verdades. Ele resumia o que Jesus Cristo fez por mim e por você.

Eu o compartilho aqui pois precisamos de nos relembrar da graça de Deus, após um capítulo sobre a importância de lutar pela pureza. Para alguns, inclusive eu, uma discussão so­bre a pureza é um exercício de remorso - ela nos lembra da nossa impureza e das vezes em que falhamos.

Talvez você tenha estragado tudo. Talvez você reflita nas ações passadas e estremeça de remorso. A pureza parece ser uma causa perdida. Este sonho, chamado de “O Quarto”, é dedicado a você.

Naquele estado entre estar acordado e estar sonhando, me encontrei em um quarto. Não havia nada que chamasse a atenção exceto por uma parede coberta de arquivos de gaveta com fichas. Eles eram como aqueles de biblioteca que listam os livros por autor ou assunto em ordem alfabética. Mas estes ar­quivos, que iam do chão ao teto e pareciam não ter fim em cada lado, tinham cabeçalhos muito diferentes. Ao me aproxi­mar da parede de arquivos, o primeiro a me chamar a atenção foi um intitulado “Garotas de quem eu gostei.” Eu o abri e comecei a passar o olho nas fichas. Rapidamente eu fechei a gaveta, chocado pelo fato de reconhecer os nomes que estavam escritos em cada ficha.

E então sem ninguém me contar, eu soube exatamente onde estava. Este quarto sem vida com os seus pequenos arquivos era um sistema de catalogação da minha vida. Aqui estavam anota­das as ações de cada momento meu, grande ou pequeno, com um detalhe que a minha memória não poderia igualar.

Fui tomado por uma sensação de admiração e curiosida­de, acompanhada de horror, quando comecei a abrir arquivos aleatoriamente e explorar os seus conteúdos. Alguns me trou­xeram alegria e agradáveis memórias; outros uma sensação de vergonha e arrependimento tão intensa que até olhava por cima do ombro para ver se havia alguém observando. Um arquivo chamado “Amigos” estava ao lado de um marcado “Amigos a quem traí.”

Os títulos variavam de mundano até os mais esquisitos. “Livros que eu li,” “Mentiras que contei,” “Conforto que ofe­reci,” “Piadas de que eu ri.” Alguns eram até hilariantes na sua exatidão: “Coisas que gritei contra os meus irmãos.” De outros eu não pude rir: “Coisas que fiz movido pela raiva,” “Coisas que murmurei contra meus pais.” Eu sempre ficava surpreso pelo conteúdo. Frequentemente havia muito mais fichas do que eu esperava. Algumas vezes havia menos do que eu desejava. Fui esmagado pelo volume completo de vida que havia vivido. Haveria a possibilidade de eu ter tido o tempo nos meus vinte anos de escrever cada uma destas milhares, possivelmente milhões, de fichas? Mas cada ficha confirmava esta verdade. Cada uma delas estava escrita com a minha própria cali­grafia. Cada uma assinada com a minha assinatura.

Quando eu abri o arquivo chamado “Canções que ouvi,” eu me dei conta de que os arquivos cresciam em profundidade para caber o seu conteúdo. As fichas estavam guardadas bem apertadas, e ainda assim ao final de dois ou três metros, ainda não tinha chegado ao fundo da gaveta. Eu a fechei, envergo­nhado, nem tanto pela qualidade da música, mas pela enorme quantidade de tempo que eu sabia que aquele arquivo repre­sentava.

Quando cheguei a um arquivo chamado “Pensamentos Impuros,” senti um frio correr pelo corpo. Abri o arquivo apenas uns dois centímetros, sem querer testar o seu tamanho. Arrepiei com o conteúdo detalhado. Me senti mal só de pensar em que um momento como aquele tinha sido registrado.

De repente senti uma raiva quase animal. Um pensamen­to dominava a minha mente: “Ninguém jamais deverá ver es­tas fichas! Ninguém jamais deverá ver este quarto! Tenho que destruí-las!” Com uma fúria insana puxei o arquivo para fora. O seu tamanho não importava agora. Eu tinha que esvaziá-lo e queimar as fichas. Mas ao pegar o arquivo numa ponta e batê-lo no chão, não consegui deslocar nenhuma ficha. Fiquei de­sesperado e tirei uma ficha, apenas para descobrir que ela era forte como o aço quando tentei rasgá-la.

Derrotado e absolutamente desamparado, guardei o ar­quivo no seu lugar. Apoiando a testa contra a parede, soltei um longo suspiro de autocomiseração. E então eu o vi. O título dizia: “Pessoas a quem compartilhei o evangelho.” O puxador estava mais brilhante que aqueles ao seu redor, mais novo, qua­se sem uso. Eu puxei a gaveta e saiu na minha mão uma pequena caixa de no máximo oito centímetros de comprimento. Eu podia contar as fichas em uma mão.

E então vieram as lágrimas. Comecei a chorar. Os solu­ços eram tão profundos que a dor começava no estômago e me sacudia todo. Caí de joelhos e chorei. Gritei sem constrangimento, por causa da esmagadora vergo­nha de tudo aquilo. As fileiras de gavetas dos arquivos giravam em meus olhos cheios de lágrimas. Ninguém jamais deveria saber deste quarto. Eu devia trancá-lo e esconder a chave.

Mas então, ao limpar as lágrimas, eu O vi. Não, por favor, Ele não. Não neste lugar. Ô, qualquer um, menos Jesus.

Eu assistia, sem poder fazer nada, enquanto ele come­çava a abrir os arquivos e ler as fichas. Eu não agüentava ver a Sua reação. E nos momentos em que consegui olhar na sua face, eu vi uma tristeza mais profunda do que a minha. Parecia que Ele intuitivamente ia para as piores caixas. Por que Ele tinha que ler cada uma delas?

Finalmente Ele se virou e me olhou lá do outro lado do quarto. Ele olhou para mim cheio de compaixão nos olhos. Mas esta era uma compaixão que não me deixou irado. Abaixei a cabeça, cobri o meu rosto com as mãos e comecei a chorar de novo. Ele se aproximou e colocou o Seu braço em volta de mim. Ele poderia ter dito tantas coisas. Mas não disse uma palavra. Apenas chorou co­migo.

Depois Ele se levantou e voltou para a parede de arquivos. Começando em uma ponta do quarto, ele tirou um arquivo e, de um em um, começou a assinar o Seu nome em cima do meu em cada cartão. “Não” eu gritei, correndo em sua direção. Tudo que con­segui dizer foi: “Não, não” enquanto tirava a ficha da sua mão. O nome Dele não deveria estar nestas fichas. Mas lá estava ele, escrito em vermelho tão rico, tão es­curo, tão vivo. O nome de Jesus cobria o meu. Estava escrito com o Seu sangue.

Ele delicadamente pegou a ficha de volta. Ele sorriu um sorriso triste e continuou a assinar as fichas. Acho que jamais compreenderei como Ele o fez tão rapidamen­te, mas no próximo instante parecia que Ele fechava o último arquivo e voltava para o meu lado. Ele colocou a sua mão no meu ombro e disse: “Está consumado.” Me levantei, e Ele me guiou para fora do quarto. Não havia tranca na porta. Ainda havia fichas a serem preenchidas.

Para pecadores como você e eu, existe uma boa notícia: Cristo pagou a nossa dívida. Ele cobriu o nosso pecado com o Seu sangue; Ele se esqueceu do passado. A pureza começa hoje. “Portanto, deixemos de lado as obras das trevas e revistamo-nos da armadura da luz.” (Rm 13:12) Reconhecidamente alguns terão mais para deixar de lado do que outros - mais memórias, mais sofrimentos, mais desgosto. Mas o passado não precisa determinar o futuro. Nós temos escolhas neste momen­to sobre como viveremos. Será que vamos colocar o nosso co­ração em Deus e andar em Seus caminhos? “Comportemo-nos com decência,” continua a passagem de Romanos, “...não em orgias e bebedeiras... Pelo contrário, revistam-se do Senhor Je­sus Cristo e não fiquem premeditando como satisfazer os desejos da carne.” (Rm 13:13-14)

Nenhum de nós pode se apresentar diante de Deus completamente puro. Todos somos pecadores. Mas independente de quão imundos sejam os trapos da nossa violação, em um momento de verdadeira entrega, o coração voltado para Deus perde a sua impureza. Deus nos veste na retidão de Cristo. Ele não vê mais os nossos pecados, Ele transfere a pureza de Jesus para nós. Então se veja como Deus o vê - vestido de branco radiante, puro, justificado.

Talvez você tenha um momento específico na memória que continua a atormentá-lo, algo que faz com que não se sinta merecedor do amor e perdão de Deus. Não permita que o passado seja vencedor. Esqueça-o. Não fique revivendo aquele momento ou outros como aquele. Se você se arrependeu de todos aqueles comportamentos, Deus prometeu que não mais se lembraria deles (Hb 8:12) Siga em frente. Uma vida de pu­reza o aguarda.

3. Faça a pureza dos outros a sua prioridade.

Uma das melhores formas de manter uma vida pura é atentar para a pureza dos outros. O que você pode fazer para proteger os seus irmãos e irmãs em Cristo da impureza? O que você pode dizer para incentivá-los a manter os seus corações na direção da retidão?

O apoio e a proteção que você pode oferecer a amigos do mesmo sexo é importante, mas a proteção que você pode dar a amigos do sexo oposto é de valor incalculável. Quando o as­sunto é pureza em relacionamentos - tanto física quanto emocional - garotas e rapazes normalmente fazem o outro trope­çar. Você pode imaginar a retidão que poderia surgir se ambos os sexos assumissem a responsabilidade de protegerem-se mu­tuamente?

Vejamos maneiras específicas em que isto pode ser realizado.

A Responsabilidade do Rapaz

Rapazes, chegou a hora de nos posicionarmos em defe­sa da honra e da retidão das nossas irmãs. Precisamos parar de agir como “caçadores” tentando pegar garotas e começar a nos ver como guerreiros a protegê-las. Como podemos fazer isso? Primeiro, devemos enten­der que garotas não lutam com as mesmas tentações que as nossas. Nós enfrentamos mais os impulsos sexuais enquanto elas lutam mais com as emoções. Po­demos ajudar a guardar os seus corações sendo since­ros e honestos na nossa comunicação. Precisamos pro­meter eliminar toda espécie de paquera e recusar a fa­zer joguinhos e levá-los adiante. Temos de redobrar a atenção para certificarmos que nada do que dizemos ou fazemos estejam provocando sentimentos ou ex­pectativas inadequadas.

Um bom amigo, Matt Canlis, exemplificou esta idéia de guardar a pureza de uma garota em seu relaciona­mento com Julie Clifton, a mulher com quem ele ago­ra está casado. Muito antes deles buscarem o casamen­to, ambos se sentiram profundamente atraídos um ao outro. Mas durante um certo tempo, Deus deixou cla­ro para Julie que ela deveria se concentrar Nele e não se distrair com o Matt.

Apesar do Matt não saber disso naquela época, ele fez da sua prioridade proteger o coração de Julie durante este tempo de espera, mesmo se achando pessoalmente interessado nela. Matt controlou o seu desejo de paquerar a Julie. Ele abriu mão de oportunidades de gastar tem­po sozinho com ela, e quando eles estavam em um am­biente de grupo ele se refreou de destacá-la dos demais e de se concentrar demais nela. Ele evitou qualquer coisa que poderia dificultar a Julie se concentrar em servir a Deus.

Esta época não durou para sempre, e eventualmente Matt e Julie noivaram. Almocei com ambos algumas sema­nas antes do seu casamento. Julie explicou como ela es­tava grata pelo fato do Matt ter maturidade suficiente para colocar as suas necessidades acima das dele pró­prio. Ao priorizar a pureza emocional e espiritual dela, Matt ajudou a Julie concentrar a sua mente e o seu cora­ção em Deus. Se Matt tivesse agido egoisticamente, ele poderia ter distraído a Julie e arruinado o que Deus que­ria realizar através da vida dela.

Que exemplo de amor fraternal! Tenho vontade de cho­rar quando penso nas inúmeras vezes que negligenciei minha responsabilidade de proteger o coração das garo­tas. Ao invés de fazer o papel de um guerreiro, eu fiz o de um ladrão, roubando o foco de Deus para mim mes­mo. Estou determinado a agir melhor. Eu quero ser o tipo de amigo de quem o futuro esposo da garota pode­ria um dia dizer: “Muito obrigado por vigiar o coração da minha esposa. Muito obrigado por proteger a sua pureza.”

A Responsabilidade da Garota

Garotas, vocês têm um papel de igual importância. Lem­bram-se da mulher adúltera que discutimos antes? O tra­balho de vocês é impedir que seus irmãos sejam arrasta­do pelo charme dela. Por favor estejam atentas de quão fácil as suas ações e olhadelas podem despertar a luxú­ria na mente de um rapaz.

Talvez vocês não se dêem conta disso, mas nós rapazes na maioria das vezes lutamos com os nossos olhos. Acho que muitas garotas inocentemente não percebem as di­ficuldades que um rapaz enfrenta para continuar puro quando olha para uma menina que se veste indecentemente. Não quero determinar o seu modo de vestir, mas falando honestamente, eu seria abençoado se mais ga­rotas considerassem mais do que a moda quando saís­sem para comprar roupa. Sim, os rapazes são responsá­veis em manter o autocontrole, mas você pode ajudar ao se recusar a vestir roupas desenhadas para atrair a atenção para o seu corpo.

Eu sei que o mundo diz que se você tem um corpo bonito, você deve exibi-lo. E nós homens temos ape­nas ajudado a alimentar esta mentalidade. Mas acho que você pode participar na reversão desta tendência. Conheço muitas garotas que ficariam muito bem em saias mais curtas ou blusas mais apertadas, e elas sa­bem disso. Mas elas decidiram se vestir com decência. Elas assumiram a responsabilidade de protegerem os olhos dos seus irmãos. A estas mulheres e a outras como estas, sou muito grato.

“E consideremo-nos uns aos outros para incentivar-nos ao amor e às boas obras.” (Hb 10:24) É tempo de co­meçar a ver a pureza de outras pessoas como nossa responsabilidade.

A BELEZA DA PUREZA

Para encerrar, deixe-me perguntar isso: Você pode enxergá-la? Você pode ver a beleza da pureza? Caso afirmati­vo, você irá lutar por ela na sua própria vida assim como na vida das outras pessoas?

Sim, isso requer trabalho. A pureza não acontece por aca­so; ela requer obediência a Deus. Mas esta obediência não é muito pesada nem opressora. Temos apenas que considerar as opções para a impureza para vermos a beleza de andar na vontade de Deus. A impureza é uma lente encardida que cobre a alma, uma sombra que bloqueia a luz e escurece o nosso semblante. O amor de Deus pelos impuros não cessa, mas a habilidade deles de apro­veitarem este amor é travada. Pois pela nossa impureza somos afastados Dele. O pecado e as suas violações nunca são encon­trados próximos do Seu trono - eles somente obtém vantagem quando nos afastamos do Seu esplendor.

Afastados da presença de Deus ficamos completamente desprotegidos contra a terrível destruição do pecado. Sem pure­za, o presente da sexualidade dada por Deus se torna um jogo perigoso. Um relacionamento destituído de pureza logo é redu­zido a nada mais do que dois corpos se agarrando e exigindo prazer. Sem pureza, a mente se torna escrava da depravação, lançada para todo lado em desejos e fantasias pecaminosas.

O que é necessário para que vejamos a beleza da pureza? Pureza é a entrada para o esplendor da criação de Deus. “Quem subirá ao monte do Senhor? Quem há de permanecer no seu santo lugar? O que é limpo de mãos e puro de coração...” (SI 24;3-4 - Revista e Atualizada da Soc. Bíblica Brasileira) A pureza nos introduz na presença de Deus. “Bem-aventurados os puros de coração, pois verão a Deus.” (Mt 5:8) Somente os puros podem ver a Sua face. Somente os puros podem ser va­sos do Seu Santo Espírito.

Você vê a beleza e o poder e a proteção da pureza? Você quer tudo isso? Você deseja tanto que até dói? Você está pronto para se negar aos prazeres do momento para viver uma vida pura focalizada em Deus? Que o seu amor por Ele o incentive a uma busca apaixonada pela retidão por toda a vida.